As verdades não ditas.

07:51 / Postado por Ponto Dança /



Depois de um isolamento, o termo quem disse foi Joubert Arrais, nada como explodir-se em planos, ideias, fôlegos para encontrar achados, achar encontros.
Durante os dias 07,08,09 e 10 ( ...e todos os outros do ano deste e dos que virão) me dispus, ou consegui, cumprir minha agenda de deveres e prioridades. Sinto-me até mais livre, sem peso, me situando novamente àquela linha de convergência/divergência aos assuntos, às discussões, ao comprometimento à Dança, aos amigos e aos mestres.
Desse exílio particular, que eu nem me dei conta tão longe de mim que estava, sem sair de Fortaleza - Maracanaú tentei ausentar-se de mim, ouvir os batimentos cardíacos, o pulso, atentar-se a esfera individual de um ser comum.
Esse COMUM que me é tão crítico.


adj. vulgar;habitual;corriqueiro; usual
minidicionário da Língua Portuguesa - Silvero Bueno
Acabei me situando na crise da crise. Eu querendo por dias me dissociar da minha busca, o que é impossível. Para onde vou carrego comigo tudo o que faço e vivo o que faço.
Pus no papel o que era eu desde quando me entendo por gente.
Ressalva: Passei a me ver assim a partir do momento em que adentrei no universo dos que teatralizam, dos que dançam, dos quem pensam a Arte, dos que produzem conhecimento, significados. Isso tudo em intersecção.
Dos 15 para baixo encaro como uma fase primeira: das crônicas no jornal escolar, das poesias sobre sexualidade nas carteiras com o intuito de provocar os noturnos( estudantes noturnos), das primeiras confissões de amor, do contato com os livros e o gazear aulas 'chatas' para ficar perto de Sidney Sheldon, Giselda Laporta Nicolelis, Machado de Assis, Fernando Pessoa, Mario Quintana, enciclopédias... Enfim, a fase comum a todos que aspiram viver. Acredito. Diziam-me que eu era doida da cabeça. Eu odiava... Hoje entendo o porquê e agradeço o elogio.
Meu corpo a partir dos 15 se transformou num campo de experiências atribuídas à pele, aos sentidos.
Andar no centro de olhos vendados, entrar em cena e não saber o que fazer e dançar, falar para muitos acreditando na quarta parede, me esconder nesse falar, chorar dores, intensificar, dramatizar cenas, outros ouvidos, negar os mestres, buscar o meu movimento, o que era eu, como eu crio, interferências, outras linguagens, desespero, a Arte pela Arte, os estudiosos, as conversas paralelas, identificações, medo, pensar no outro, análise crítica, se expor, estar à vista, ver, ...,.
Voltei à tona e dei de cara com uma avaliação.
Só era meu penar pensar: não estou sendo justa, não estou sendo justa, não estou sendo justa.
Com eles, comigo, com o mundo, com a vida.
É necessário falar para que haja movimento, para que haja mudança...
Ouvir Andrea Bardawil ( longe dos puxa-saquismos) é desorientar-se. É ficar calada quando há um turbilhão de palavras em atrito na boca do estômago. É baixar os olhos e por uns lépidos instantes ver-se por dentro, apontar para si e ter certeza de que é com você, é para você, é você!
Portanto, ACORDE! (acordemos!)
Distribua alegrias, expresse-se, fale, se comunique, crie relações, mexa, futrique, experimente.
Para quê o medo do verbo se estou em formação? Se estou entre amigos? Se nos unimos para construir, provocar sentidos?
A semana, a volta me permitiu querer ser de outra maneira.
Não me anular.
Não me esquecer.
Não me diminuir
Somar forças.


Construa uma resistência ao universo do efêmero. Andréa Bardawil


Obrigada para todos que sentiram a minha ausência. Obrigada mesmo. Eu precisava ouvir palavras sinceras.

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